Por
Muita gente se beneficiou com o tráfico transatlântico de escravos
africanos, os proprietários de terras nas colônias bem como os
proprietários de terras na África. Deixaram muitos africanos e europeus
milionários. Ao contrário do que senso comum sugere os escravos não eram
vendidos a preço de banana, eram vendidos mediante produtos do tipo:
têxteis, ferro, instrumentos agrícolas, armas, bebidas alcoólicas entre
outros produtos.
Aos defensores da tese que a riqueza dos países escravistas se dá
intimamente ligada à exploração de mão de obra, os Estados Unidos provam
o contrário, uma vez que o sul escravizado é compreendido como
retrógrado e precisou ser combatido em beneficio do desenvolvimento do
país no qual seria fruto da Guerra Civil (1861-1865). Quanto aos
Ingleses, defende-se que sua riqueza foi advinda da agricultura e do
comércio, e não do sistema escravista (DÖPCKE, 2001).
Nestes termos, é difícil para não dizer impossível verificar ao certo
quem deveria a quem, se é que alguém deveria receber uma reparação por
conta da escravidão, uma vez que africanos e europeus se beneficiaram de
tal processo histórico. Encontraremos certamente uma mistura de
descendentes que escravizaram e daqueles que foram escravizados.
Outra afirmação é que o continente africano foi profundamente abalado
pelo sistema escravista. Contudo, Dopcke (2001) afirma que existem
locais na África pelo qual não foram atingidos pelo processo interno e
externo da escravidão e permaneceram estagnados assim como os povos
afetados pelo escravismo interno e externo.
Hoje, quando o IBGE pergunta de que raça o brasileiro pertence, fica a
dúvida. Quanto em porcentagem, somos brancos, negros ou índios? Apesar
dos estudos sobre evolução humana esta problemática ainda é evidente no
senso comum (LEAKEY; LEWIN, 1981; LEAKEY, 1989; LARAIA, 2003). Para
Santos, Palomares, Normando et al (2010) atribuir o termo raça por meio da cor de pele é um equivoco, pois a cor de pele não determina a ancestralidade.
Por fim, a história é triste, tristeza esta irreparável, pois, na
história não há dívidas por ancestralidade, isto é um equivoco dos
nossos tempos. Querem atribuir à história algo que ela não pode
oferecer. As cotas raciais no Brasil não só não resolvem o problema como
também não contribuem para uma igualdade, muito pelo contrário,
proporcionam uma desigualdade ainda maior, proporcionam um sentimento de
inferioridade e de impotência frente às dificuldades da vida. Por mais
dinheiro que se pague, nunca mudaremos o que passou, nunca seremos
justos com aqueles que foram escravizados pelos africanos, nunca seremos
justos com aqueles que foram escravizados pelos europeus.
Quem vive hoje não é culpado por gerações anteriores, não é culpado
pelos erros do passado. Ainda assim, podemos aprender com a história,
buscarmos mudanças, entretanto, mudanças estas que nos façam crescer,
sermos melhores e não ficarmos apenas vivendo em círculo, um círculo
vicioso e muito perigoso. Precisamos aprender a perdoar, principalmente
quando aqueles que pagam pelo passado, nada devem a este.
REFERÊNCIAS
CARVALHO, F. N. Aspectos do tráfico de escravos de Angola para o
Brasil no século XVII: 1. prolegómenos do inferno. (In) BARROCA, M J,
coord. – Carlos Alberto Ferreira de Almeida: in memoriam. Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 1999.
CARVALHO, O. A África às avessas. Diário do Comércio, 14 de setembro de 2009a http://www.olavodecarvalho.org/semana/090914dc.html
CARVALHO, O. O imbecil coletivo: Atualidades Inculturais Brasileiras. São Paulo É realizações, 2006.
DÖPCKE, W. O Ocidente deveria indenizar as vítimas do tráfico
transatlântico de escravos? Reflexões sobre a Conferência das Nações
Unidas contra o Racismo, a Intolerância Racial, a Xenofobia e a
Intolerância Correlata. Rev. Bras. Polít. Int. v. 44, n.2, p. 26-45, 2001.
FAUSTO, B. História concisa do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2009.
GIORDANI, M, C. História do mundo árabe medieval. 5ª edição Petrópolis, RJ: Vozes, 1985.
GIORDANI, M, C. História da Antiguidade oriental. 14ª edição Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.
GIORDANI, M, C. História da África Anterior aos descobrimentos. 7ª edição Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.
LARAIA, R. D. B. Cultura: Um conceito antropológico. Jorge Zahar – Rio de Janeiro, 2003, 117p.
LEAKEY, R, LEWIN, R. Origens. Tradução de Almeida, M. L. C.G. Editora Universidade de Brasília, 1981, 264p.
LEAKEY, R. As origens do homem. Tradução de RAMOS, V. Lisboa, Editorial Presença, Lda, 1989, 89p.
LOVEJOY, Paul. A Escravidão na África – Uma História de suas Transformações. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.
MEIRELES, M. C. As conexões do maranhão com a áfrica no tráfico atlântico de escravos na segunda metade do século XVIII. Outros Tempos – Dossiê Escravidão, Volume 6, número 8, dezembro de 2009.
RISÉRIO, A. Escravos de escravos. Revista Nossa História. Biblioteca Nacional. Ano, 1, nº 4. 2004
SANTOS, D. J. S, PALOMARES, N. B, NORMANDO, D, et al. Raça versus etnia: diferenciar para melhor aplicar. Dental Press J Orthod, v. 15, n. 3, p. 121-124, 2010.
PAIVA, E. F. Por uma história cultural da escravidão, da presença africana e das mestiçagens. Fênix (UFU. Online), v. 6, p. 1-24, 2009.
SANTOS, D. J. S, PALOMARES, N.B, NORMANDO, D, et al. Raça versus etnia: diferenciar para melhor aplicar. Dental Press J Orthod, v. 15, n. 3, p. 121-124, 2010.
SOUZA, T. T. B. A. Escravidão interna na África, antes do tráfico negreiro. Vértices, Ano 5. n. 2 mai / ago, 2003.
Nenhum comentário:
Postar um comentário