Avaliar pela titulação dos docentes é absurdo. Como disse o especialista Eric Hanushek,
em recente entrevista a Veja: as pesquisas não deixam dúvidas: os PhDs
não apenas não são necessariamente os melhores professores, como muitas
vezes figuram entre os piores. A razão é simples: o foco de um curso de
doutorado é bem diferente dos assuntos que os alunos de um curso de
graduação devem aprender. Os assuntos de interesse de um doutor não são
os que serão mais úteis para um aluno de graduação de administração,
medicina ou direito.
Existe um ditado de sociologia que diz:
“em qualquer tipo de atividade humana, as pessoas fazem aquilo que elas
sabem e não o que deveriam fazer”. Em educação isso se traduziria da
seguinte forma: “os professores ensinam o que eles sabem, que nem sempre
é o que os alunos deveriam aprender”.
Além disso, a avaliação deveria ser
feita por uma entidade independente e não pelo MEC, que é o responsável
pelas universidades federais.
Como a avaliação é feita pela titulação
dos docentes, as universidades federais só podem contratar doutores, em
virtude de norma baixada pelo ministro Aloísio Mercadante: mais uma
regra que inibe a livre escolha dos melhores. Isto poderia ser válido
para áreas como matemática, física e química, mas administração, direito
e engenharia dependem mais da prática do que da teoria.
Como disse Peter Drucker, o guru dos gurus da administração: “management is a practice rather than an art or a science”.
Na realidade, é a complementaridade dos
conhecimentos do corpo docente que cria a sua força e permite a
diversidade dos conhecimentos a serem adquiridos pelos alunos.
Os bons professores são principalmente
bons didatas: sabem motivar os alunos, sabem escolher os assuntos que os
alunos devem aprender, sabem conduzir a turma no decorrer da aula.
Atualmente, quase todas as informações estão disponíveis na internet,
nas bibliotecas, etc. O professor deve ser principalmente um bom didata.
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