Para Fausto (2009) sobre a escravidão no Brasil, a escravidão na África é apenas um “Dizia-se”:
“Dizia-se que se tratava de uma instituição já existente na África, e
assim apenas se transportavam cativos para o mundo cristão onde seriam
civilizados e salvos pelo conhecimento da verdadeira religião” (p. 26).
Nota-se que para Boris Fausto a escravidão na África anterior aos
descobrimentos era apenas um relato, o que de certa forma coloca em
dúvida a tese da escravidão naquele continente. Todavia, o contato com a
África levou Portugal a iniciar seu processo de escravidão no Brasil.
Observa-se que o tráfico de escravos negros já era existente na África
muito antes da chegada dos portugueses (RISÉRIO, 2004; GIORDANI, 2010).
Admitindo nesse sentido que Portugal passou a utilizar-se desse mesmo
processo já amplamente utilizado pelos africanos (MEIRELES, 2009).
De acordo com Carvalho (1999, p. 233) “Quando os portugueses
chegaram a Angola a existência de indivíduos reduzidos à condição de
escravos já era ali uma realidade, como sucedia em muitas regiões de
África”. No Brasil, o reflexo da escravidão ainda é evidente, e
devido a esta escravidão, o problema das cotas em universidades se
vincula a tese do racismo, bem como, ao sentimento de ressarcimento de
uma dívida com os descendentes dos africanos. Contudo, de acordo com
Giordani (2010), a escravidão na África era tão importante que chegou a
adquirir status de fundamento de prosperidade econômica.
Dopcke (2001) aponta que:
Quando os portugueses chegaram pela primeira vez, em 1471, nos Akan,
na região que desde então foi chamada de Costa do Ouro, com o objetivo
de contornar o comércio transaariano de ouro e comprar diretamente das
minas, descobriram que umas das poucas mercadorias que os Akan aceitavam
em troca eram escravos. Entre 1500 e 1535, os portugueses compraram
entre 10.000 e 12.000 escravos no reino de Benim (e nos Igbos vizinhos)
para satisfazer a demanda de mão-de-obra escrava na Costa de Ouro
(DÖPCKE, 2001, p.34).
Dessa forma, como é possível discutir a questão das dívidas
históricas? Se as cotas servem para pagar a dívida do passado é preciso
questionar tal validade. Segundo Carvalho (2006) em seu livro: O imbecil
coletivo. O filósofo pergunta: Quem deve a quem? Neste caso, os judeus
não devem receber indenização por terem sido escravizados pelos
africanos? Sob essa perspectiva (da dívida histórica), quem deve a quem?
Juridicamente ninguém pode herdar uma dívida, exceto o espólio
(conjunto de bens) em um dado momento, e não eternamente.
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