quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Índia: fundamentalistas hindús matam uma criança cristã

A denúncia dos pais do pequeno Anugrag Gemethi: "Nosso filho foi torturado". A mobilização dos cristãos: "Queremos justiça"
Mauro Pianta
Vatican Inside

O fundamentalismo hindu não respeita nem sequer a vida das crianças. Anugrag Gemethi, um menino cristão de sete anos chamado por todos de "Anmol", foi torturado e morto por extremistas hindus em um vilarejo no Rajastão, no noroeste da Índia. É o que denuncia seus pais, que indicaram, ademais, que a morte do menino havia sido algum tipo de ameaça para sua família e para a comunidade cristã. Várias organizações cristãs, de diferentes credos, lançaram uma ampla campanha de mídia para levar à justiça os assassinos da criança.
Em uma nota enviada à Agência Fides pela "Catholic Secular Forum", uma das associações que promoveram a campanha, se lê: "É tão horrível que os fundamentalistas hindus não tenham poupado a vida de uma criança de sete anos. O que é pior é que a polícia não seja capaz de identificar os assassinos e entrega-los à justiça". A campanha, que se chama "Justiça para o mártir Anmol", tem como objetivo sensibilizar os líderes da Igreja e das instituições políticas e judiciais. Se exige uma punição severa para os assassinos, em nome da legalidade; que se acabe a perseguição aos cristãos na Índia e uma indenização para a família da criança.
Anugrag Gemethi foi torturado e morto na cidade de Gamidi, localizada no distrito de Dungerpur, no estado de Rajasthan. O corpo do garoto foi encontrado em um lago no último dia 18 de novembro, após uma intensa busca. Seu rosto estava mutilado, sem olhos, nariz e sem orelhas. Ele estava irreconhecível. Além do mais, ele tinha marcas de queimaduras até a altura do abdômen, lhe haviam cortado os dedos dos pés e tinha cortes profundos em uma das mãos e em um dos braços. De acordo com o relatório da autópsia, a criança morreu afogada. Cinco testemunhas do hospital indicaram claros sinais de tortura, que foram ignorados pelo médico.
O pai do menino, Harish Gemethi, explicou à polícia que "durante anos alguns extremistas hindus locais ameaçam matar-me e têm prejudico a minha família em várias ocasiões." O homem deu os nomes dos agressores e pediu às autoridades para abrir uma investigação contra eles, mas todos os pedidos foram ignorados até agora. Na aldeia vive uma comunidade de 45 fiéis cristãos, que nasceu em 2003. Em setembro deste ano, um grupo de extremistas hindus interrompeu uma reunião de oração dos fiéis e ameaçou matar os presentes.
O pastor protestante P.S. José, secretário diocesano da "Igreja dos Cristãos" de Rajasthan, em uma carta para as instituições denunciou "o grave atraso nas investigações policiais", sublinhou "graves brutalidades contra os cristãos", e pediu "Justiça para uma família em luto."
O episódio é apenas o último de uma longa série de ataques contra as minorias. De acordo com os dados recolhidos pelo Conselho Global de Cristãos Indianos (GCIC – em Inglês), somente em 2011 a minoria cristã sofreu 170 ataques de intensidade mais ou menos graves. Trata-se de ataques de diferentes tipos perpetrados por grupos pertencentes ao movimento nacionalista hindu Sangh Parivar. Além das constantes humilhações acrescenta-se a falta de justiça para as vítimas do massacre de 2008: somente uma condenação por homicídio em 20 casos registrados. Enquanto isso, em setembro de 2011, o Parlamento deteve pela enésima vez a aprovação da Communal Violence Bill, a lei sobre a violência inter-religiosa.

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